Quando uma data é alegria… e saudade
É incrível como uma data pode ser tão feliz para uns e tão triste para outros! Eu faço questão de festejar e ser festejada… Falemos do dia que homenageia as mães!
As datas que marcam a vida
Há efemérides que nunca deixei passar ao lado…dia da criança, até sair de casa! Fazia questão de recordar aos meus pais que era como o dia do filho, mesmo quando já tinha dinheiro para comprar os meus próprios tarecos! Claro que depois dos 18 não durou muito a brincadeira! Depois quando comecei a ganhar consciência das coisas, marquei no calendário o dia da mulher, que levanta sempre tantas questões sobre emancipação, direitos iguais e sexo forte ou fraco, mas que para mim é o festejo de ser uma Mulher com “M” grande e com tudo o que isso implica (teríamos de escrever muito sobre o assunto)! O dia do pai, porque felizmente tenho um pai de dar orgulho até às pedras da calçada! E o dia da mãe!
“Mãe é mãe”
Primeiro porque tenho igualmente uma mãezinha digna de registo nos anais da história das melhores e depois porque sempre aprendi que a mãe é uma figura ímpar! Não porque faz o favor de nos carregar e parir, e isso vos digo por experiência própria que não é para qualquer um, mas principalmente pelo que significa! Que me desculpem os pais que são parte ativa em todo o processo, mas não há verdade mais verdadeira que a da frase “ mãe é mãe”! E de há onze anos a esta parte não podia estar mais certa de que é um papel quase hercúleo!
O que é ser mãe (por dentro)
Não porque fazemos mais do que os pais, não porque somos as mais cuidadoras, as que marcam a hora do banho e chateiam com as regras, as que não se importam de ficar na cozinha a fazer vários pratos e sopas porque os meninos não gostam disto ou daquilo e mesmo reclamando fazemos tudo para alimentar a nossa cria, mas pelo que sentimos cá dentro! Pela falta de ar que nos invade quando há uma unha encravada, a força anímica e física para enfrentar o mundo e levantar uma tonelada se for preciso, ou a capacidade de não dormir, primeiro, quando nascem, depois quando estão com duvidas existenciais que os magoam, quando depois começam a sair com os amigos e a pestana não cede enquanto não estão deitados e tapadinhos na cama, mesmo que já estejam naquela fase do bafo à última imperial que beberam antes de vir para casa. Até mesmo quando já não fazemos parte da equação e eles acham que já não precisam de nós e agora a outra miúda gira com quem vivem é que é a rainha da casa, ainda assim vamos ser a mãe que ama sem conta, nem cobrança, só amor e disponibilidade!
Ser mãe vai além de parir
Por isso neste dia dedicado a nós (já faço parte do grupo), às nossas mães, acho sempre importante relembrar que não é preciso parir para ser mãe, há pais que são mães e há mães que não o merecem ser! Há mães que só criam, e criam tão bem como as outras mães que berraram no hospital naquele dia que jamais se apaga! Hoje levanto um brinde a todos nós que amamos sem medida, que trazemos para o nosso colo sem maiores considerações os seres mais perfeitos de todos do universo todo! Para todos nós a homenagem porque é preciso ser grande para aguentar viver com o coração fora do corpo!
Para quem celebra… e para quem sente falta
E que nunca se apaguem as homenagens, porque se este dia é de vida e alegria para uns, é de tristeza, nostalgia e saudade para muitos outros… E é de coragem viver sem ela, sem a mãe que nos afaga a alma quando precisamos, que nos massaja o ego quando nos sentimos pior do que somos, aquela que liga nas piores horas, que nos envergonha quando à frente de todos nos manda vestir o casaco aos 20 anos, mas que se às 4 da manhã de um dia com 5 graus negativos for chamada, é capaz de sair de casa a correr de tshirt e chinelos só para nos dar um beijo porque, lá está, nos ama dessa forma que dizem ser incondicional. Às vezes penso nisso e nas minhas amigas e amigos que já não podem telefonar às mães, ouvir a sua voz, um conselho, ter um abraço, que trocavam tudo para poderem usufruir apenas por um segundo de coisas que felizmente ainda conheço e que o meu filho pode gritar ao mundo que tem, e reforço a vontade de festejar este dia que as celebra…porque só elas conseguem, mesmo quando não estão, estar para sempre!
Feliz Dia da Mãe.
Carina Bento – Jornalista


