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A Ilha onde o tempo abranda (e tu também)

A ilha de São Vicente não estava nos meus planos. Entre o custo da viagem e o tempo disponível, pareceu-me ser uma boa escapatória à quantidade absurda de dias de chuva que estávamos a ter. Fui sem expectativas e isso, possivelmente, ajudou — e muito.

Fiquei alojada no Foya Branca mas rapidamente percebi que a maioria dos locais recomenda ficar no Mindelo, no Hotel Ouril, por ser mais central e ter outra dinâmica. Ainda assim, uma das coisas que me surpreendeu pela positiva foi a facilidade de deslocação. Muitos hotéis têm transporte gratuito do aeroporto e, em alguns casos, também fazem ligação até ao Mindelo. Vale sempre a pena perguntar na receção pelos horários.

Outra coisa importante: se pedirem atum em Cabo Verde, peçam-no mal passado. Na cultura local, o peixe é normalmente bem passado e acaba por perder alguma da sua essência. Foi uma das primeiras dicas que escrevi e fez toda a diferença.

Logo no aeroporto, comprem o cartão de telemóvel local. É gratuito e, carregando com cerca de 1000 escudos, têm internet suficiente para os dias todos. Também não é necessário tratar de visto antes de viajar. À chegada, ainda dentro do aeroporto, fazem o pagamento do Visa, cerca de 30€ por pessoa. A única recomendação aqui é tentar sair do avião rapidamente para evitar filas.

Em relação a dinheiro, não vale a pena trocar euros por escudos. A taxa ronda os 110 escudos por euro mas quando se paga em dinheiro, muitas vezes há arredondamentos pouco favoráveis. Sempre que possível, o melhor é usar cartão, especialmente Revolut, pelas taxas mais baixas.

O primeiro dia começou na vila piscatória de São Pedro. Fomos até à Turtle House para nadar com tartarugas, uma experiência simples mas memorável. Pode ser marcada online ou diretamente no local e custa cerca de 25€ por pessoa. A seguir, almoçámos no Bar Bistro Santo André, onde o peixe grelhado foi dos melhores que comi na ilha. O puré de inhame é obrigatório e o gelado Kamoka fecha bem a refeição.

A tarde foi passada entre a baía de São Pedro, à procura de conchas, e o Morena Beach Club, um espaço resguardado do vento, com um ambiente muito tranquilo. Ao final do dia, fizemos a caminhada até ao farol. Demora cerca de uma hora e o caminho tanto pode ser descontraído como mais desafiante, dependendo do ritmo. Lá em cima, conhecemos o Danilo, que vive e trabalha no farol, e subimos até ao topo. A vista para a ilha de Santo Antão é impressionante.

No segundo dia, fomos até ao Mindelo. A melhor forma de conhecer a cidade é a pé. Passámos pela Praça Estrela, pela feira local e pelas ruas com murais que homenageiam artistas e figuras importantes. Visitámos também a Casa Cesária Évora, um espaço pequeno, mas com significado, onde é possível perceber um pouco mais da sua história.

Houve tempo para um gelado no Cremositos e para mergulhos na Laginha Beach, uma praia com água cristalina e uma cor difícil de explicar. Para comer, o Caravela Bar tem menus simples e acessíveis. Ainda nesse dia, passámos pelo campo de basquetebol em Chá D’Alecrim, com o mural do Beto, e considerámos subir ao Monte Verde, embora o tempo nem sempre ajude.

O jantar foi no Le Metalo, um dos sítios mais animados onde estivemos. Música ao vivo, mesas ao ar livre e pessoas a dançar ao lado das próprias mesas. A comida não desilude, seja peixe ou carne. Depois, fomos ao Jazzy Bird Bar, um espaço mais local, com música ao vivo quase todos os dias. Aqui vale a pena provar a pontche, especialmente a de mel.

O terceiro dia foi mais de descoberta pela ilha. Lazareto não nos prendeu muito e acabámos por dar prioridade a outras zonas. Almoçámos na Taverna, onde o carpaccio de atum da ilha é imperdível. Seguimos para Calhau, uma zona mais tranquila, com água calma e muito frequentada por famílias locais. É também um dos sítios onde se pode saltar das rochas para o mar, com zonas já adaptadas para isso.

O caminho até à Baía das Gatas é particularmente bonito, sempre com o mar de um lado e a montanha do outro. A baía é calma, quase sem ondulação, e perfeita para um dia mais relaxado. Convém levar algo para comer, porque não há muitas opções por perto.

Mais ao final do dia, passámos por Salamansa, uma vila com uma praia que faz lembrar a costa portuguesa. Há um campo de futebol onde a equipa local treina ao final da tarde e um spot curioso, a Creperie Chez Zoe, onde se pode andar de moto 4 na areia e comer uns crepes surpreendentemente bons. O pudim de queijo terra é uma das coisas que vale mesmo a pena provar.

No regresso ao Mindelo, parámos em Cruz para ver o pôr do sol com vista para o Monte Cara. Foi um dos momentos mais bonitos da viagem. Para terminar o dia, fomos ao restaurante do Prassa Boutique Hotel, onde provámos moreia frita, arroz de marisco e búzios — tudo muito bem servido.

No último dia, ficou a faltar Santo Antão. Todos os locais dizem que é ainda mais impressionante do que São Vicente, especialmente pela natureza. A viagem de barco dura cerca de 45 minutos e sai do porto do Mindelo. Não fui, mas ficou como motivo claro para voltar.

Não fui com expectativas. E talvez por isso tenha gostado ainda mais. São Vicente não é um destino óbvio, mas é precisamente aí que está o seu encanto.

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