Há destinos que surpreendem. E depois há a Boa Vista, em Cabo Verde — um lugar onde o tempo desacelera, o calor envolve e a tranquilidade é real.
Acabei de chegar da ilha da Boa Vista e foi, sem dúvida, uma das viagens mais tranquilas que fiz. Fomos em família, com dois filhos de 8 e 5 anos, e desde o primeiro momento percebemos que esta viagem ia ser especial.
E começou logo de forma diferente.
Uma viagem que começa às 4h30 da manhã
O voo partia às 6 da manhã, o que significava estar no aeroporto às 4h30… com duas crianças. Para facilitar, fizemos algo que ajudou muito: eles dormiram já vestidos e prontos para sair de casa.
Pequeno truque, grande diferença.
A viagem dura cerca de 4 horas e, quando chegamos, há logo algo a ter em conta: na Boa Vista são menos duas horas do que em Portugal. Isso ajuda ainda mais a entrar num ritmo mais tranquilo.
Fizemos tudo por nossa conta, sem pacote turístico, o que também nos deu mais liberdade para explorar a ilha à nossa maneira.
Na volta, tomámos uma decisão curiosa: regressámos pelo Porto, porque a viagem estava muito mais barata. Aproveitámos para ficar uma noite na cidade e passar um dia diferente em família. Depois voltámos de autocarro, mas a viagem de comboio também é uma excelente opção — e dizem que é muito bonita.
A primeira impressão: um outro mundo
A primeira sensação ao sair do avião foi imediata: calor. Um calor quente e leve, sem vento.
Em abril, o vento nas ilhas de Cabo Verde praticamente desaparece, e isso muda completamente a experiência. O clima torna-se ainda mais agradável e perfeito para praia.
Mas foi o aeroporto que nos deixou mesmo surpreendidos.
É pequeno, feito em madeira, com uma parte ao ar livre e uma estética muito diferente do habitual. Quase parece algo saído de outra época, com um ar natural e simples, mas muito bonito.
Os miúdos disseram que foi o aeroporto mais bonito que já tinham visto — e eu concordei.
As pessoas fazem a ilha
Se há algo que realmente me surpreendeu, foram as pessoas.
A simpatia é genuína. As pessoas são extremamente disponíveis, prontas a ajudar, a orientar, a acompanhar. Houve momentos em que até ligavam a amigos para saber se tinham disponível aquilo que estávamos a procurar.
Chegaram mesmo a dar-nos boleia duas vezes.
É o tipo de hospitalidade que não se encontra facilmente e que torna a experiência ainda mais especial.
Praias praticamente só para nós
Ficámos em Sal Rei, mesmo em frente à Praia de Cabral. E a verdade é que as praias estavam praticamente vazias.
Havia momentos em que parecia que estávamos sozinhos.
O mar estava morno, transparente e muito convidativo. E quando a maré vazava, havia um verdadeiro presente: conchas e búzios por todo o lado. Um pequeno paraíso, especialmente para quem viaja com crianças.
São praias largas, naturais e com uma tranquilidade difícil de encontrar hoje em dia.
Como é a ilha?
A Boa Vista é simples. E essa simplicidade é precisamente o que a torna tão especial.
Andámos sempre a pé, sem qualquer preocupação. A ilha pareceu-nos muito segura, tranquila e fácil de explorar.
Não há trânsito, não há multidões, não há pressa. Apenas sol, praia e um ritmo mais leve.
A comida na Boa Vista
A comida foi outra surpresa muito positiva.
Não é servida exatamente como em Portugal — tem mais temperos, mais intensidade de sabores. Mas é muito boa, e o peixe fresco não falta.
Nos restaurantes de praia, os preços são semelhantes a Portugal, cerca de:
- 15€ a 20€ por pessoa por refeição
Considerando a qualidade e o ambiente, achámos bastante justo.
Vale a pena ir à Boa Vista?
Sem dúvida.
Fomos em família, mas é um destino que recomendo para:
- Casais
- Famílias
- Amigos
- Viagens a solo
É um destino versátil, mas acima de tudo, perfeito para quem quer descansar de verdade.
A Boa Vista não é sobre grandes atrações ou luxo exagerado. É sobre tranquilidade, natureza e uma simplicidade que hoje em dia é cada vez mais rara.
E talvez seja exatamente isso que a torna tão especial.
Nos próximos artigos vou partilhar:
- Um restaurante familiar incrível que descobrimos
- O aparthotel onde ficámos (económico, com piscina e a 200 metros da praia)
- Mais dicas práticas sobre a ilha
Porque há destinos que se visitam,
E depois há a Boa Vista que se sente.















